Diante do crescente número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus no Brasil — com uma recente média diária de mais de 1.000 vítimas — criou-se a necessidade de desenvolver uma forma de testagem com baixo custo.

Os teste rápidos são amplamente utilizados para detectar e controlar a Covid-19.

Veja como os testes funcionam e qual a importância deles durante a pandemia.

Como funciona o teste rápido para Covid-19?

Uma das principais dificuldades no combate ao coronavírus é não saber exatamente o número de infectados. Isso ocorre porque alguns países não tem disponibilidade de testes para toda população. A testagem muitas vezes fica restrita aos casos graves.

Levando em consideração esse cenário global, o teste rápido é de muita importância para detectar e testar a população por ser mais acessível.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o ideal realizar a testagem em todos os casos suspeitos, para reduzir o número de mortes. 

Mas como funciona o teste rápido para Covid-19? De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), essa forma de testagem é de fácil execução, não precisa de equipamentos de apoio para ser realizada e é capaz de dar resultados entre 10 e 30 minutos.

Na prática, primeiramente, o profissional de saúde precisa coletar amostras de sangue do paciente. É necessário que isso ocorra após o sétimo dia do aparecimento dos primeiros sintomas (preferencialmente entre o décimo e o 12º dia), já que o teste não vai procurar o coronavírus em si, mas sim a resposta do organismo à presença de um agente infeccioso

O teste rápido procura pelos anticorpos IgM, liberados no pico de uma infecção, e pelos  IgG, liberados quando a infecção está melhor. Vale destacar que ambos os anticorpos são liberados pelo organismo quando ele sente a presença de um agente invasor, como o coronavírus. 

Uma desvantagem do teste rápido é a necessidade de uma quantidade mínima de anticorpos para detectar se há uma infecção. Ou seja, se o exame não encontrar esses anticorpos, o resultado será negativo.

Já é possível realizar diferentes tipos de testagens, além do teste rápido para covid-19

Levando isso em conta, os testes rápidos não são recomendados para quem tem sintomas muito leves ou está no início da doença, afinal, o corpo não teve tempo de produzir a resposta imunológica. 

Além disso, esse fator aumenta a chance do teste resultar em um falso positivo, que é quando o diagnóstico é de Covid-19, mas a pessoa não está com a doença, ou um falso negativo, que é quando o teste não encontra o vírus, mas a pessoa está com a doença. 

Tendo esses fatores em vista, não é possível utilizar o resultado do teste isoladamente como diagnóstico para a doença. Para se certificar de que a amostra testada contém o coronavírus, é necessário fazer a confirmação por meio do ensaio molecular (RT-PCR).

Embora não sejam precisos para o diagnóstico, os testes rápidos são muito importantes, pois permitem o mapeamento do status imunológico das pessoas que já contraíram  vírus ou já foram expostas a ele, podendo contribuir para o processo de relaxamento ou não das medidas de restrição de atividades. 

Dessa forma, é possível controlar a situação da doença no país e planejar o melhor momento para que as atividades não essenciais tenham retorno.

Onde posso fazer o teste rápido?

De acordo com a Anvisa, os testes rápidos para Covid-19 podem ser feitos em estabelecimentos de assistência à saúde licenciados para esta atividade e por um profissional de saúde capacitado.

Há também a possibilidade de realizar o teste rápido para covid-19 em drive-thru.

Os testes podem ser realizados em laboratórios clínicos, hospitais, farmácias e nas modalidades drive-thru (sem sair do automóvel) e em domicílio. O informe da Anvisa alerta para que o teste seja realizado em um espaço privativo, “seguindo todos os protocolos clínicos de gestão do paciente e manipulação de amostras, em especial aqueles relacionados à proteção sanitária (uso de equipamentos de proteção individual – EPIs)”. 

Quando devo fazer o teste rápido?

A Anvisa recomenda que os testes rápidos sejam feitos a partir do oitavo dia após a pessoa ter apresentado os sintomas iniciais.

Os diferentes tipos de testes para Covid-19

Existem três diferentes tipos de testes para Covid-19: RT-PCR, por sorologia e o teste rápido. Conheça:

RT-PCR

Enquanto os testes rápidos detectam ferramentas imunológicas de defesa (anticorpos da classe IgM e IgG), os testes moleculares, chamados de RT-PCR (Cadeia da Polimerase com Transcrição Reversa), detectam o material genético do vírus.

Nos testes RT-PCR, são coletadas amostras de secreções do nariz ou garganta (vias aéreas superiores). Após feito isso, o profissional de saúde coloca o material coletado em um meio de cultura apropriado para manutenção da viabilidade celular, que é o meio utilizado para o cultivo de vírus.

A próxima etapa do procedimento ocorre no laboratório, onde o profissional fará a amplificação do material genético. Uma vez que seja possível manipular o material genético do coronavírus, o diagnóstico confirmará que o paciente foi infectado pelo vírus da Covid-19.

Ao aumentar o material genético do vírus, é possível analisar a carga viral, sendo um procedimento mais específico e sensível nos primeiros sete dias após o aparecimento dos sintomas iniciais. 

Portanto, até sete dias do aparecimento dos primeiros sintomas, o ideal é fazer o teste de PCR, afinal, o corpo ainda não produziu anticorpos. Já o diagnóstico é melhor ser feito do oitavo ao 12º dia, os quais são contados após o aparecimento dos primeiros sintomas.

Sorologia

O teste sorológico, diferentemente do RT-PCR, é feito por meio da amostra de sangue do paciente exposto ao coronavírus (SARS-CoV-2), analisando a resposta imunológica do organismo em relação a esse vírus, por meio da detecção dos anticorpos IgA, IgM e IgG. 

O procedimento deve ser realizado a partir de dez dias após o aparecimento dos primeiros sintomas, a produção de anticorpos ocorre dentro desse período. Para evitar um resultado falso negativo, é necessário que os pacientes realizem o teste dentro do período indicado. No caso da sorologia, é preciso um pedido médico para fazer o exame. 

Com a possibilidade do corpo ainda não ter produzido anticorpos no período em que o teste sorológico foi realizado, há a chance de se obter resultados negativos mesmo nos pacientes que obtiveram o resultado positivo para Covid-19 no diagnóstico do teste RT-PCR.

Testes rápidos

Semelhantes ao teste sorológico, os testes rápidos verificam se há a presença dos anticorpos IgM e IgG no organismo do paciente, mas não conseguem identificar o vírus em si. 

Diferentemente da sorologia, a testagem rápida pode ser realizada após sete dias do aparecimento dos primeiros sintomas (a Anvisa recomenda a testagem a partir do oitavo dia), pois, depois desse período, a carga viral começa a se estabilizar e reduzir, indicando que o organismo já começou a combater o agente infeccioso e que o corpo já tem ferramentas imunológicas ativas.

Uma das principais vantagens deste exame é a rapidez na obtenção de resultados, que leva de 10 a 30 minutos. No entanto, uma desvantagem do teste rápido para Covid-19 é que não há um alto nível de precisão, sendo muito menos específico do que o teste molecular (RT-PCR). 

Vale ressaltar que, para um resultado mais fidedigno, é indicado que sejam feitas duas metodologias: pesquisa de anticorpos (teste rápido ou sorologia) e pesquisa de material genético (teste molecular — RT-PCR).

Repetição de exames

A repetição de exames pode ser necessária por conta da possibilidade dos resultados serem falsos negativos ou falsos positivos. Isso ocorre porque, muitas vezes, os pacientes apresentam sintomas muito leves ou não esperaram a quantidade de tempo necessária para que cada teste seja realizado com êxito.

Para garantir que os resultados estejam corretos, os exames devem ser sempre avaliados por um profissional de saúde, pois somente ele poderá solicitar a repetição do teste ou a realização de outros exames.

Confiabilidade dos testes rápidos 

O nível de confiabilidade do teste rápido para coronavírus varia de acordo com seu tipo. A Anvisa propôs 17 tipos diferentes de testagem rápida, as quais podem ser usadas no Brasil para a detecção do coronavírus quando somadas aos testes moleculares (RT-PCR). 

Porém, essa variedade de testes rápidos não garantem qualidade. Alguns testes já se mostram mais eficazes do que outros, e alguns especialistas não indicam os testes de farmácias, por exemplo.

Como o conhecimento acerca da Covid-19 ainda é muito raso e novo, os testes rápidos têm um valor limitado para realizar o diagnóstico da doença. Por esse motivo, a OMS considera o teste RT-PCR como padrão ouro, sendo os definitivos para concluir o diagnóstico dos pacientes com suspeita de coronavírus.

O teste rápido para covid é uma das formas de auxiliar na definição de políticas públicas no país

Contudo, os testes de anticorpos não devem ser descartados, muito pelo contrário. Com base em tudo o que foi dito anteriormente, é possível afirmar que, a partir do teste rápido, será possível compreender melhor como o sistema imunológico de pessoas infectadas respondem ao novo coronavírus

À medida que o tempo vai passando, o uso de forma ampliada desses testes de anticorpos, aliado ao acompanhamento clínico dos infectados, permitirá que a comunidade médica tenha acesso a informações mais precisas em relação à recuperação dos pacientes com Covid-19 e ao risco de infecção pela exposição ao vírus, além de auxiliar na definição de políticas públicas

Referências:

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)

Antibody responses to SARS-CoV-2 in patients of novel coronavirus disease 2019

Testes diagnósticos para infecção por Covid-19. Síntese de evidências

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Por: Cia da Consulta

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